Qual a importância do colo para um bebê?

Uma das coisas que mais gera dúvidas — e julgamentos — nos primeiros meses de vida do bebê é o colo.

Basta um pai ou uma mãe acolher o filho nos braços para surgir alguém dizendo:

“Cuidado, o colo vicia.”

“Você vai acostumar mal.”

“Depois, ele não sai mais do braço.”

Mas será que isso faz sentido? A resposta é simples: não.

Nem a ciência nem a prática clínica sustentam a ideia de que colo “estraga” bebê. Muito pelo contrário, o bebê não nasce pronto para se regular emocionalmente, por isso, nos primeiros meses de vida, especialmente durante o período conhecido como exterogestação, os três primeiros meses após o nascimento, o bebê ainda está em intensa adaptação ao mundo fora do útero.

Do ponto de vista neurobiológico, ele ainda não possui maturidade para autorregulação emocional. Isso significa que ele precisa de um regulador externo, e esse regulador é o cuidador.

O colo é uma ferramenta fisiológica de regulação. Quando um bebê é acolhido nos braços, ele recebe estímulos fundamentais para sua segurança, como: calor, contenção, cheiro, voz, batimentos cardíacos e o contato pele com pele.

Tudo isso ajuda a reproduzir, em alguma medida, a segurança do ambiente intrauterino e o impacto disso no organismo é real.

O colo ajuda a:

– Reduzir níveis de cortisol (hormônio do estresse);

– Estabilizar o sistema nervoso;

– Promover sensação de segurança;

– Fortalecer o vínculo afetivo.

Isso não é “mimar”; é ajudar a organizar um cérebro em desenvolvimento.

“Mas ele vai se acostumar com colo?”

Essa é uma das maiores preocupações dos pais. Só que segurança emocional não cria dependência patológica.

Na verdade, bebês que se sentem seguros tendem a desenvolver mais confiança para explorar o mundo no futuro.

O colo constrói uma base emocional. O problema não é o colo, é a culpa que colocam nele.Muitos pais ainda recebem críticas quando acolhem seus bebês com frequência. Isso acontece porque gerações anteriores foram ensinadas a enxergar o distanciamento como forma de educar.

Mas hoje entendemos muito mais sobre desenvolvimento infantil, vínculo e neurociência e quanto mais aprendemos, mais uma coisa fica clara: Bebê pequeno precisa de presença, contato e acolhimento.

No consultório, uma orientação costuma ser repetida para muitos pais: Dê colo sem medo, porque essa fase passa rápido. E o que permanece não é “um bebê mal-acostumado”. O que fica é uma criança que aprendeu, desde cedo, que existe segurança no abraço de quem cuida dela.